Malha fechada de combustível (Ajuste de Curto Prazo)
Combustível → Malha Fechada / Trim de Combustível → Ajuste de Curto Prazo.
O Ajuste de Curto Prazo (tela Ajuste de Curto Prazo) compara continuamente o lambda medido pela sonda wideband com o lambda alvo e corrige o combustível na hora, em toda a faixa de RPM × carga.
- Lambda medido maior que o alvo (pobre) → correção positiva (mais combustível).
- Lambda medido menor que o alvo (rico) → correção negativa (menos combustível).
Campos
| Campo | O que faz |
|---|---|
| Constante de tempo base da correção | Piso mínimo de quão rápido a correção reage — a ECU ainda ajusta essa velocidade sozinha ponto a ponto, esse valor é só o piso |
| Máximo a adicionar | Teto de quanto a correção pode somar de combustível |
| Máximo a remover | Teto de quanto a correção pode tirar de combustível |
| Zona morta de ajuste | Faixa de erro pequeno que é ignorada, pra não ficar corrigindo micro-oscilação |
| Correção em passo fixo | Desligado (padrão): a correção anda mais rápido quanto maior o erro de lambda. Ligado: ignora o tamanho do erro e sempre anda em passo fixo pequeno na direção certa — só mude isso se sua sonda for ruidosa/lenta e a correção normal estiver reagindo de forma instável ao erro medido |
Versões antigas desse sistema dividiam o mapa em Marcha Lenta, Desaceleração, Potência e Normal, cada uma com seu próprio limite. Isso não existe mais — hoje é um ajuste único, contínuo em toda a faixa de RPM × carga, e a velocidade de resposta se adapta sozinha ponto a ponto.
Ajuste prático
- Comece conservador: 15% de limite pra cima e pra baixo (Máximo a adicionar / Máximo a remover).
- Aumente a Constante de tempo base se a correção oscilar em marcha lenta.
- Se demora demais pra convergir, reduza a constante de tempo aos poucos.
- Teste em acelerações e desacelerações — a correção deve reagir sem "estourar" o valor.
Se a correção fica constantemente no limite (acima de 15%), o problema é a tabela VE, não esse ajuste — volte pro guia de VE e corrija a tabela na região afetada. Numa calibração bem feita, essa correção deve fazer só ajustes finos (±5% ou menos).
Saiba mais (opcional): a matemática por trás do Ajuste de Curto Prazo
Essa parte é só pra quem quer entender como a correção calcula o passo certo — não é necessária pra usar o recurso.
É um controlador integral, não proporcional
A cada ciclo de controle, a ECU calcula:
ajuste += (erro_de_lambda / constante_de_tempo) × tempo_do_ciclo
Isso é um controlador integral puro (o "I" de PID, sem P nem D): o ajuste acumula ao longo do tempo enquanto o erro persistir, em vez de reagir de uma vez só proporcional ao tamanho do erro. É por isso que, se você olhar o valor da correção no gráfico, ele sobe/desce gradualmente até estabilizar, em vez de pular direto pro valor final.
Por que a constante de tempo não é fixa de verdade
A "Constante de tempo base" que você configura é só um piso. Por baixo, a ECU calcula o tempo real de transporte dos gases de escape — o tempo que o ar/combustível que saiu do cilindro agora leva pra realmente chegar até a sonda lambda, que depende da vazão de gases de escape (função de RPM, carga e volume do escapamento configurado). A regra de segurança usada é: a constante de tempo da correção nunca pode ser menor que 4× esse atraso de transporte. Isso existe porque, em teoria de controle, se você tenta corrigir mais rápido do que a informação consegue fisicamente chegar até o sensor, o sistema entra em oscilação (fica "perseguindo" uma leitura que já está desatualizada) — a mesma lógica por trás da margem de estabilidade em qualquer malha de controle com atraso de transporte.
Correção em passo fixo: por que existe
No modo normal, o tamanho do passo de cada ciclo é proporcional ao erro de lambda medido (erro grande → passo grande; erro pequeno → passo pequeno). No modo Correção em passo fixo, esse tamanho de passo fica travado num valor pequeno fixo, e só a direção do erro (rico ou pobre) é usada. Isso troca velocidade de convergência por robustez a ruído — útil se a leitura da sua sonda lambda for instável ou responder devagar, porque nesse caso confiar no tamanho do erro medido pode fazer a correção reagir de forma exagerada a um pico de ruído que não é erro real de mistura.