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Avançado

Corte de combustível na desaceleração (DFCO)

Onde clicar

Combustível → Cut-off na Desaceleração (DFCO) — a tela abre com o título Configurações de Cut-off.

Quando você solta o acelerador e o motor está sendo "arrastado" pelas rodas (freio motor), a ECU reduz a injeção drasticamente — economiza combustível e reduz emissões. Na prática o corte não chega a 0%: a ECU deixa uma injeção mínima (piso de 10%) sempre ativa, mesmo em corte pleno. Isso é proposital — veja Saiba mais no final do guia.

Quando ativa​

Todas as condições precisam ser verdadeiras ao mesmo tempo:

Condição (nome real do campo)Valor típico
Ativar acima de (RPM, painel "RPM")1500 a 2000 RPM
Ativar acima de (Velocidade do Veículo, painel "Velocidade do Veículo")acima de 0 km/h — evita cortar combustível com o carro parado
TPS abaixo de (painel "Condições Adicionais")1 a 3%
MAP abaixo de (painel "Condições Adicionais")depende do motor — deixe alto o suficiente pra não bloquear o corte à toa
Temperatura mínima para cut-off60°C
Não é só RPM e TPS

Além de RPM e TPS, o corte também exige velocidade do veículo e MAP dentro de limite — se alguma dessas condições ficar mal configurada (ex.: MAP mínimo baixo demais pra o seu motor), o DFCO nunca ativa, mesmo com RPM e TPS certos.

Quando volta a injetar​

Basta uma das condições abaixo acontecer:

  • RPM cai abaixo do campo Restaurar abaixo de (painel "RPM" — tipicamente 300–500 RPM abaixo do valor de Ativar acima de; essa diferença é a histerese).
  • Velocidade cai abaixo do campo Restaurar abaixo de (painel "Velocidade do Veículo").
  • Você volta a pisar no acelerador (TPS sobe acima do limite).

Por que a histerese importa​

Se a diferença entre o RPM que ativa e o que desativa for pequena demais, o corte liga e desliga repetidamente, sentindo como "empurrões". Use no mínimo 300–500 RPM de diferença.

Outros campos da tela​

  • Atraso do cut-off (dfcoDelay) — quanto tempo esperar, depois que as condições de entrada acima já foram satisfeitas, antes de começar a cortar combustível de verdade. Evita entrar em corte por um instante muito curto de pé fora do acelerador (ex.: troca de marcha rápida).
  • Atraso do STFT após cut-off — por quanto tempo a malha fechada de mistura (STFT) fica pausada depois que a injeção volta ao normal, pra não aprender um ajuste errado a partir da transição.
"Ignição retard during cut" e "ramp-in time" não fazem efeito nesta build

A tela ainda mostra os campos "Ignition retard during cut" e "After cut timing ramp-in time" (herdados de uma versão antiga do DFCO), mas eles não são lidos por nenhum código nesta build — o retorno suave de torque ao sair do corte é controlado por um módulo interno separado (Torque Smoothing), que não fica disponível nesta tela. Ajustar esses dois campos não muda o comportamento do carro; não perca tempo calibrando-os.

Ao sair do corte, a injeção volta ao valor normal imediatamente (não há uma rampa gradual de combustível) — o retorno suave de torque que você sente na prática vem do avanço de ignição sendo controlado por fora, não de uma rampa de combustível configurável nesta tela.

Saiba mais​

Leitura opcional

Isso aqui não muda nada no que você precisa ajustar — é só pra entender por que a ECU se comporta do jeito que se comporta.

Por que a ECU não corta 100% do combustível durante o DFCO? A resposta está ligada ao wall wetting: o coletor sempre tem um filme de combustível "guardado" na parede, evaporando aos poucos. Se o corte fosse de 100%, esse filme secaria completamente durante a desaceleração — e, na hora de voltar a injetar, a ECU precisaria "reumedecer" a parede do zero. O próprio modelo de wall wetting tem um limite interno de correção (entre 30% e 250% do valor calculado) que não consegue compensar isso de uma vez, e o resultado seria um pico de mistura pobre bem na retomada. Por isso o corte real fica num piso de 10% em vez de 0%, decaindo suavemente (não em degrau) ao longo de meio segundo até chegar nesse piso.

A outra metade da suavidade — o que faz a retomada de torque não sentir como um "tranco" — não vem do combustível, vem do avanço de ignição: existe um mecanismo interno que, tanto na entrada quanto na saída do corte, controla o quanto o motor "puxa" (freio motor) atrasando/adiantando o ponto de ignição de forma gradual, independente da malha de combustível. Isso é deliberado: um degrau instantâneo de combustível (por exemplo, uma rampa de 0% a 100% de injeção) atravessaria uma faixa de mistura rica/pobre demais pra queimar direito no meio do caminho, produzindo uma combustão irregular em vez de uma transição suave — enquanto o avanço de ignição consegue variar o torque entregue continuamente, sem nunca passar por uma mistura inqueimável. Por isso o projeto da evoTech deixou o combustível "seco" (volta de uma vez, sem rampa) e concentrou toda a suavização da transição na ignição.