Sensor de etanol (Flex Fuel): como funciona e como configurar
O sensor de flex fuel mede quanto etanol tem misturado na gasolina que está passando pela linha de combustível. Com ele instalado, a ECU ajusta a mistura sozinha conforme você abastece com álcool, gasolina ou qualquer mistura dos dois — sem precisar reprogramar nada na mão toda vez que troca de combustível.
A firmware é compatível com o sensor de flex fuel padrão Continental/GM, do tipo 50-150 Hz (o mesmo usado em carros flex de fábrica).
Como o sensor funciona
O sensor fica instalado na linha de combustível e manda um sinal de frequência (não é um valor de tensão) — quanto mais etanol na mistura, mais alta a frequência:
| Frequência do sensor | Combustível |
|---|---|
| 50 Hz | Gasolina pura (E0) |
| 150 Hz | Etanol puro (E100) |
| Entre 50 e 150 Hz | Mistura proporcional entre os dois |
A conversão é direta: % de etanol = frequência − 50. Por exemplo, um sinal de 77 Hz indica 27% de etanol (equivalente à gasolina comum brasileira, que já vem misturada com álcool).
Abaixo de 45 Hz ou acima de 155 Hz a ECU entende que o sensor está com defeito ou mal conectado e não usa a leitura (fica em modo de segurança, explicado abaixo). Sinais acima de 200 Hz também podem indicar contaminação por metanol na mistura.
O sensor também mede temperatura do combustível
Além da frequência (etanol %), o mesmo sensor Continental/GM manda a temperatura do combustível na largura do pulso do sinal. A ECU já decodifica isso sozinha, sem nenhum campo extra pra configurar — só é bom saber que existe, caso você veja um canal de temperatura de combustível disponível no datalog mesmo sem ter um sensor de temperatura dedicado instalado.
Onde configurar
Sensores → Combustível → Sensor Flex (esse "Combustível" é o grupo de sensores relacionados a combustível, dentro do menu Sensores — não confundir com o menu Combustível, que é onde fica a tabela VE e a injeção).
- Campo Sensor de flex fuel — selecione o pino digital em que o sensor está ligado.
- Campo Sinal Flex — inverta aqui se a leitura ficar estranha (fio de sinal invertido é comum dependendo do chicote usado).
Configurando as duas razões estequiométricas
Combustível → Hardware de Injeção → Configurações de Injeção, painel Características do Combustível.
Com o sensor ativo, a tela de configuração de combustível mostra dois campos, e a ECU interpola entre os dois de acordo com o % de etanol detectado:
| Campo | O que significa | Valor típico |
|---|---|---|
| Razão estequiométrica primária | Combustível quando o sensor indica 0% de etanol (E0) | 14,7 (gasolina pura) |
| Razão estequiométrica E100 | Combustível quando o sensor indica 100% de etanol (E100) | 9,0 (etanol puro) |
Referência rápida de outras misturas comuns: E10 ≈ 14,1 · E85 ≈ 9,9.
A "gasolina comum" do posto no Brasil já vem com cerca de 27% de etanol (E27). Se você não tem sensor de flex fuel físico, configure a razão estequiométrica primária considerando essa mistura, não 14,7 puro — do contrário a ECU vai calcular a mistura como se fosse gasolina pura americana e vai ficar pobre.
O que acontece se o sensor falhar
Se o sensor perder o sinal (ou nunca foi instalado), a ECU não trava nem assume 0%. Ela calcula um valor de segurança no meio do caminho entre a sua razão estequiométrica primária e o E100 configurado — por exemplo, se sua gasolina primária já é E27, o valor de segurança fica perto de 62% de etanol, não 50%. Isso evita que a mistura fique perigosamente pobre numa falha de sensor.
Se Razão estequiométrica primária ou Razão estequiométrica E100 ficarem zerados (comum em configurações antigas migradas), a ECU dispara um erro crítico e não roda. Sempre confira os dois valores antes de ligar o motor pela primeira vez com flex fuel habilitado.
Próximo passo
Depois de configurar o sensor, veja como a firmware trata a partida a frio e os transientes de aceleração de forma diferente conforme o teor de etanol, em Partida e transientes com Flex Fuel.