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Avançado

Configurando o Controle de Tração passo a passo

Antes de mexer aqui, leia o que é o Controle de Tração e como ele detecta patinação — este guia assume que você já escolheu o modo de detecção.

Onde mexer

Onde clicar

Performance → Controle de Tração → Configurações Gerais, e depois a tela do modo escolhido (Roda de Tração (1 Sensor) ou Sensor Duplo), e por fim Performance → Controle de Tração → Atuação.

1. Ajustes gerais (valem para os dois modos)

CampoO que faz
HabilitarLiga o módulo inteiro. Sozinho não muda nada — as curvas de atuação vêm zeradas.
PPS/TPS mínimo para armarO TC só passa a calcular deslizamento acima desse valor de acelerador. Dirigir com pouco acelerador nunca dispara um corte. Padrão: 50%.
MAP mínimo para armarIgual ao de cima, mas por pressão do coletor (MAP). Deixe em 0 pra desligar esse portão (padrão de fábrica).
Tempo de estabilização da embreagemDepois que o pedal de embreagem volta a subir (embreagem solta), o TC espera esse tempo antes de voltar a agir — evita que o próprio solavanco de reengatar a embreagem seja lido como patinação.
Constante de tempo do filtroSuaviza o sinal usado pelo modo Roda de Tração. Valor maior = reação mais lenta, mas rejeita mais ruído. Padrão: 100 ms.
Sobre o sensor de embreagem

O tempo de estabilização usa qualquer sensor de embreagem que você tiver ligado (de cima ou de baixo do pedal) — se os dois estiverem ligados, basta um deles indicar "embreagem pressionada" pra contar.

2. Se você escolheu Roda de Tração (1 Sensor)

Preencha o limite de aceleração de RPM por marcha — um campo por marcha (Limite 1ª marcha, Limite 2ª marcha, etc.), em rpm por segundo.

  • É o quanto o motor pode acelerar (subir de RPM) naquela marcha sem ser considerado patinação.
  • 0 = não calibrado — a ECU nunca reporta patinação nessa marcha.
  • Valores de fábrica são só um ponto de partida (decrescentes por marcha: 2000 rpm/s na 1ª, caindo até 400 rpm/s nas marchas mais altas) — não vieram de banco de provas do seu carro específico, servem só pra não começar de uma tabela totalmente zerada.
Como calibrar de verdade

Isso exige testar em pista/rua segura: acelere em cada marcha sem forçar patinação (chão seco, boa aderência) e veja no datalog qual foi a maior aceleração de RPM naquela marcha em uso normal — configure o limite um pouco acima disso. Marcha sem calibração nenhuma (valor 0) nunca aciona o TC.

3. Se você escolheu Sensor Duplo

Esse modo exige que você já tenha configurado, em Sensores → Auxiliares → Sensores de Velocidade Extras: a Entrada de velocidade extra 1 (sensor da roda de tração) e a Entrada de velocidade extra 2 (sensor da roda livre) — ou, em vez da roda livre, use o VSS do carro (opção Usar VSS como segunda velocidade de roda).

Sem esses dois sinais configurados corretamente, o Sensor Duplo não funciona.

4. Atuação: as duas curvas

Na tela Atuação, configure:

Curva/campoEixo XO que faz
TC Retardo de Ignição% de deslizamentoQuantos graus de avanço retirar, conforme o deslizamento sobe (0 a 90°).
TC Corte de Faísca% de deslizamentoQue percentual de centelhas pular, conforme o deslizamento sobe (0 a 100%).
Taxa de rampa do retardoVelocidade máxima (graus por segundo) com que o retardo pode subir ou descer.
Taxa de rampa do corteVelocidade máxima (% por segundo) com que o corte pode subir ou descer.
As duas curvas vêm zeradas — você precisa desenhá-las

Sem preencher essas duas curvas, o TC não reduz torque nenhum, mesmo com Habilitar ligado e mesmo detectando 100% de deslizamento. Comece com retardo suave (poucos graus) nos primeiros % de deslizamento e vá subindo, testando em segurança.

Na mesma tela de Atuação, um painel Ao vivo mostra três medidores em tempo real — deslizamento estimado, retardo aplicado e corte aplicado — úteis pra acompanhar a atuação enquanto você testa, sem precisar montar um datalog.

Diagnóstico: por que o TC não está agindo

Onde clicar

Performance → Controle de Tração → Configurações Gerais — o painel de indicadores fica logo abaixo dos campos gerais, na mesma tela do passo 1 (não é uma tela separada de "Ao vivo").

Se o TC parece "não fazer nada", olhe o painel de indicadores dessa tela. O indicador geral TC ocioso / TC calculando deslizamento mostra se o sistema está ativo agora — mas ele sozinho não diz o motivo (aparece sempre que o TC está inativo, inclusive com o módulo simplesmente desligado em Habilitar). Pra descobrir a causa específica, olhe se algum destes indicadores mais detalhados está aceso:

IndicadorO que significa
TC: embreagem pressionadaEmbreagem ainda pisada, ou dentro do tempo de estabilização depois de soltar.
TC: PPS/TPS muito baixoAcelerador abaixo de PPS/TPS mínimo para armar.
TC: MAP muito baixoMAP abaixo de MAP mínimo para armar (só se esse campo estiver configurado acima de 0).
TC: marcha desconhecidaSó no modo Roda de Tração, sem caixa de câmbio configurada (Contagem marchas à frente = 0) e a marcha atual não foi identificada.
TC: sensor inválidoSó no modo Sensor Duplo — um dos sensores de velocidade auxiliares não está lendo.
TC: parado (abaixo de 1km/h)Só no modo Roda de Tração — carro abaixo de 1 km/h, esse modo fica sempre inativo aqui (ver conceitos).

Se nenhum desses indicadores específicos estiver aceso e o TC ainda assim está "ocioso", o motivo mais provável é o campo Habilitar desmarcado — esse caso não tem indicador dedicado, só o TC ocioso genérico.

Também existe o indicador TC: atuação no teto da curva — sinal de que o deslizamento está maior do que sua curva cobre, e ela precisa ser estendida.

Saiba mais: por que existe uma taxa de rampa separada das curvas

As curvas (TC Retardo de Ignição, TC Corte de Faísca) dizem quanto de correção aplicar pra cada % de deslizamento — mas a correção não pula direto pro valor da curva quando o deslizamento muda de repente. As Taxas de rampa limitam a velocidade com que a correção sobe ou desce a cada instante, tanto entrando quanto saindo da atuação. Isso existe porque torque de motor mudando em degrau (de zero pra corte total, por exemplo, num único instante) é ele mesmo um solavanco na transmissão — o TC existe justamente pra proteger a embreagem e o câmbio, então corrigir a patinação com um outro solavanco (dessa vez causado pelo próprio TC) anularia parte do propósito. Taxas de rampa mais altas reagem mais rápido a uma patinação súbita, mas com mais chance de "degrau" perceptível; taxas mais baixas são mais suaves, mas reagem mais devagar a uma patinação repentina.